"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35) "Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá estarei no meio deles." (Mateus 18:20)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Bíblia Não Condena o Espiritismo

Católicos e evangélicos dizem que a Bíblia proíbe o Espiritismo.
De início, é bom deixar claro que a Bíblia não poderia proibir algo que surgiu somente no século XIX. Foi Allan Kardec quem criou o termo Espiritismo. Falam que a Bíblia proíbe a comunicação com mortos, mas provarei que isso também não é verdade.

Uma contradição: segundo evangélicos e católicos, os mortos não se comunicam. Há um site evangélico que afirma: "A proibição divina de se consultar os mortos não prova que havia comunicação com eles. Prova apenas que havia a consulta aos mortos, o que não significa comunicação real com eles. Era apenas uma tentativa de comunicação. ".  Só que a Bíblia não proíbe a "tentativa" e sim o fato. Ou seja, um cartaz "Não Nade na Grama" para os evangélicos e católicos faz todo o sentido do mundo.
Vejamos as passagens bíblicas que dizem condenar a comunicação com mortos:
" Se alguém recorrer aos médiuns e adivinhos, prostituindo-se com eles, eu voltarei minha  face contra ele e o eliminarei do meio do povo."  (Levítico 20,6)
  O  paraibano Severino Celestino  da Silva se dedicou por oito anos a pesquisar a Bíblia, com seus conhecimentos dos  idiomas grego e hebraico, além de sua condição de doutor, comparando a versão em sua linguagem original com as traduções para o Português. Escreveu o livro "Analisando as Traduções Bíblicas"
Analisemos a citação acima.  Em hebraico transliterado: vehanéfesh asher tifné el-haovôt veel-haid'donim liznot achareihém venatati ét-panái banefésh hakiv vehichrati atô mikerév 'amô
Em seu livro, Severino traduz palavra por palavra desse texto, apresentando o seguinte:
Vehanefesh = é a alma, pessoa ou ser;
asher =  é uma conjunção que significa que;
tifné = diante;
el haovôt=aos necromantes;
veel-haid'onim= e aos adivinhos;
liznot achareihém =  para se prostituir seguindo-os;
venatati = eu darei, trarei ou voltarei;
ét-panái = as minhas faces;
banefésh haviv = contra esse ser;
vehichrati otô = eu o cortarei;
mikérve 'amô = do seio do seu povo
A tradução correta, confirmada por pessoas nascidas em Israel,. como o senhor Gad Azaria, que acompanhou todo o trabalho de Severino:
"Contra esse ser ou alma que vai diante dos necromantes e dos adivinhos para se prostituir seguindo-os. Eu darei as minhas faces e os cortarei de dentro do seu
  povo: "
Veja definição do Aurélio para "necromancia": "1. ADIVINHAÇÃO pela invocação dos espíritos. 2. MAGIA NEGRA"
Segundo o livro "Historia das Religiões" de Antonio de Almeida e Souza, Necromancia é um culto de origem egípcia e africana onde os supostos sacerdotes tentam adivinhar o futuro evocando espíritos e com auxilio de restos mortais de animais e de pessoas
Levítico em momento algum condena o Espiritismo e a comunicação com mortos, mas sim a necromancia, uma forma de magia antiga em que se comunica com mortos para adivinhações(sorte no amor, sorte nos negócios, essas coisas puramente materiais). Em nenhum lugar das obras básicas da Doutrina Espírita você achará algo que recomende práticas necromânticas, divinatórias, adivinhações, feitiçarias ou coisa parecida. Então, de onde vem atitude como essas ? Dos interesses espúrios de algumas religiões que dizem pregar o Evangelho no mundo, mas,  em vez de procurarem unir as criaturas em torno do Amor e da Fraternidade, que é o verdadeiro Evangelho, preferem promover o divisionismo, o ódio, a discórdia e a intolerância. Sentimentos esses que foram responsáveis pela inquisição e pela terrível marca que a Humanidade tem hoje de poder afirmar que as guerras por motivos religiosos já mataram mais gente do que todas as outras guerras juntas. Cristo disse: "Pelos frutos os conhecereis".
Outro versículo em Levítico utilizado:
"Não recorrais aos médiuns, nem consulteis os espíritos para não vos tornardes impuros. Eu sou o Senhor vosso Deus. " (Lv 19,31)

Segundo Severino, "Não ireis aos NECROMANTES e nem aos ADIVINHOS". Nada de médiuns - termo surgido apenas no século XIX, criado por Kardec -  e nem nada sobre consultar espíritos.
" O homem ou a mulher que se tornar médium ou adivinho, serão mortos por apedrejamento.  São réus de morte. " (Lv 20,27)
Segundo Severino: "E o homem ou mulher que for NECROMANTE ou ADIVINHO será condenado à morte."
O mais utilizado:
"10 Não se ache o meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, 11 à magia, ao espiritismo,  à adivinhação ou à invocação dos mortos, 12 porque o Senhor, teu Deus abomina aqueles que se
dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti
essas nações. (Dt 18)

Espiritismo foi termo criado por Kardec. Não poderia a Bíblia conter essa palavra. Mesma coisa Astrologia.
Se "Satanás" é o "Pai da Mentira", conforme  costumam dizer se referindo ao Espiritismo, o que dizer destes  que moldam a Bíblia  segundo seus interesses e ainda a chamam de "Palavra de Deus" ?
    Essa recomendação foi feita por Moisés, não por Deus. Vemos em Marcos 10, que Jesus contrariou a lei do divórcio de Moisés. Jesus também trabalhou aos sábados, negando Moisés. Também não permitiu que apedrejassem a adúltera...
    Essas leis foram leis humanas, feitas para um determinado povo em uma determinada época, e não leis divinas e eternas, senão Cristo não teria revogado essas leis. Com a que proíbe a comunicação com mortos é a mesma coisa. Vemos no Novo Testamento, Cristo conversando com Elias e Moisés,ambos mortos.
Creio que os Católicos e Protestantes deveriam observar todos os preceitos de Moisés, e não se ater apenas a proibição a comunicação com mortos. Seria mais coerente. 
Vejamos uma outra lei bíblica, que, por coerência, eles deveriam seguir:
"Quando teu Deus te tiver dado  gentes mais poderosas do que tu, totalmente as destruirás, não farás acordo com elas e nem terás piedade delas" (Deut. 7:2)
   Pois bem, qual o protestante ou católico que obedece a essa ordem e sai  por aí  a destruir pessoas que são mais poderosas que ele ? Existe muita
gente em nossa cidade que tem mais poder do que nós. Teríamos que assassinar essas pessoas ? Por coerência, deveriam, está no mesmo livro que "condena" o Espiritismo.
Mais:
        "Cada um tome a sua espada e mate cada um a seu irmão, cada um a seu amigo, cada um a seu vizinho" (Ex. 32:27)
       "Nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida" (Deut. 20:16)
        "Se o povo de uma cidade incitar os moradores a servir outros deuses, destruirás ao fio de espada tudo quanto nela houver, até os animais"  (Deut. 13:12/15)
        Os que usam a lei mosaica para atacar a Doutrina Espírita não estão matando seus amigos, vizinhos e até os animais por quê? Deveriam ser coerentes. E  os dois últimos versículos são do livro Deuteronômio, onde está a tal "condenação a comunicação com mortos".
Outro:
     "Quando pelejarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar para livrar o seu marido da mão do que o fere, e ela estender a sua mão, e lhe pegar pelas suas vergonhas, então cortar-lhe-às as mãos, não a poupará o teu olho" (Deut. 25:11)
   Coitada da pobre mulher! Não tem o direito nem de defender o próprio marido. Será que os que usam o mesmo Deuteronômio para dizer que a Bíblia condena o Espiritismo segue todo esse livro? Deveriam, por coerência.   Por coerência também, os que usam Levítico para atacar o Espiritismo deveriam matar o seu filho rebelde, consentir com o casamento de um homem com 10 mulheres, deveriam estuprar a esposa do seu inimigo, queimar um boi vivo pra Deus. Ou segue tudo ou não segue, só a metade e onde interessa não vale.
Mais exemplos:
      Em Deut. 13:6, 9 e 10, há uma ordem de matar a pedradas os adeptos de outras crenças. Uma apologia à intolerância religiosa.
      Em Levítico 22:17-18 "Deus" ordena  que a oferta a ser oferecida no altar seja de animais sem defeito. E é mais exigente ainda,  quando determina que não devam ser ofertados bichos que tiverem testículos machucados, ou moídos, ou arrancados, ou cortados (Levítico 22:24)
Devemos analisar, portanto, o contexto de tais proibições. Assim, vemos que a proibição a comunicação com mortos foi voltada para  os que praticavam  magia antiga: adivinhações, sortilégios...
No tempo de Moisés e dos cananeus não havia prática espírita, porquanto o Espiritismo surgiu, no mundo,  em 1857, na França.  Os povos contrários aos hebreus praticavam a feitiçaria e a necromancia, as quais nada tem a ver com a Doutrina Espírita. Na prática mediúnica espírita não se faz  evocação de espíritos inferiores visando sortilégios, adivinhações e trabalhos para o mal.
    E vamos voltar ao livro do Severino Celestino. Segundo ele, a tradução correta dos versículos em Deut. é essa:
"Quando entrares na terra que Iahvéh,  teu Deus, te dá, não aprendas a fazer as abominações daquelas nações. Não se achará em ti quem faça passar seu filho ou sua filha pelo fogo, nem adivinhador, nem feiticeiros, nem agoureiro, nem cartomante, nem bruxo, nem mago e semelhante, nem quem consulte o necromante e o adivinho, nem quem exija a presença dos mortos"
"Quando entrares na terra": diz Severino sobre isso:
"Quando quem entrar?
   Certamente Moisés se refere aos "Bnei Israel", Filhos de Israel, ou povo de Israel.
    E a que terra prometida por Deus se refere Moisés? Sabemos que o autor sagrado se refere à terra de Canaã ou terra prometida por Deus a Abraão e seus descendentes. Ora, se estas recomendações foram dirigidas aos filhos de Israel ou Hebreus, nós, espíritas, 4.000 anos depois, não temos a menor responsabilidade sobre esse fato, pois, por acaso, recebemos de Moisés a incumbência de ir para a terra prometida?
Parece-nos que os desejosos de atacar, a todo custo, o seu "PRÓXIMO" só porque possui outra filosofia religiosa, ficam tão preso às questões críticas e pessoais, que não percebem a verdadeira época e origem dos textos sagrados e a quem eles foram realmente dirigidos "

Sobre a passagens de crianças pelo  fogo, diz Severino:  "Refere-se esta primeira parte ao costume entre fenícios de queimar os primogênitos no altar de Moloq. Moisés proíbe ainda que nem sequer se faça oferta dos filhos e filhas a Moloq, fazendo-os passar pelo fogo(Lv. 18:21 - 2Rs. 23:10). Os acontecimentos bíblicos fazem pensar em ritos realizados para fundações ou em caso de derrotas e infortúnios(1Rs. 16:34; 2Rs. 3:27)
    Maimônides (1135-1204), filósofo, médico, mestre da literatura rabínica e um dos maiores iluminadores do povo judeu em todos os tempos, explica este procedimento: "Um grande fogo é aceso. O pai toma um de seus filhos e o entrega aos sacerdotes que são adoradores do fogo. Aqueles sacerdotes devolvem o filho ao pai, após ter sido entregue em suas mãos, para que possa ser passado através do fogo com o consentimento de seu pai. O pai é quem passa o seu filho sobre o fogo, com a permissão do sacerdote. Ele faz seu filho andar com os próprios pés através das chamas, de um lado ao outro. De fato, em tal ritual, não se queima a criança em honra de Moloq como filhos e filhas eram queimados no ritual de uma outra espécie de idolatria, mas faz-se meramente com que ele passe através do fogo, a serviço do ídolo chamado Moloq"
  Veja a desobediência dos israelitas em 2 Reis 17:17: "Fizeram passar pelo fogo seus filhos e filhas, praticaram a adivinhação e a feitiçaria, e venderam-se para fazer o mal na presença de Iahvéh, provocando sua ira".
  Eles ainda estavam muito ligados aos costumes egípcios, daí a preocupação de Moisés. Isaías faz referência em seu livro no capítulo 19:3 sobre este costume que é herdado dos Egípcios. Veja seu comentário:  "O espírito dos egípcios será aniquilado no seu íntimo, confundirei o seu conselho. Eles irão em busca dos seus deuses vãos, dos encantadores e dos adivinhos".
    Na mitologia clássica grega, Cronos devorava seus filhos. A imolação de crianças na fogueira era acompanhada de cerimônias de encantamento destinadas a apaziguar o deus. Acaz, rei de Judá, realizou tais práticas e está em 2Rs. 16:2-4. Veja: "Acaz tinha vinte anos quando começou  a reinar e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Não fez o que é agradável aos olhos de Iahvéh, seu Deus, como havia feito David, seu pai. Imitou a conduta dos reis de Israel, e chegou a fazer passar pelo fogo, segundo os costumes abomináveis das nações que Iahvéh havia expulsado de diante dos filhos de Israel"
Aqui existe, por parte da maioria dos tradutores,  a tendência de utilizar um texto escrito em um passado remoto para adaptá-lo a uma realidade completamente diferente, no presente, tendo, principalmente,  como objetivo condenar uma Doutrina que eles desconhecem.
   (...)
   Maimônides esclarece que o encantador é aquele que pronuncia palavras, que não são uma língua, imaginando totalmente que tais palavras são mágicas. Tais encantadores chegam ao ponto de dizer que, se uma pessoa pronunciar determinadas palavras sobre uma cobra ou escorpião eles se tornarão inofensivos e que, se uma pessoa pronunciar certas palavras sobre um homem, ele não será ferido. Entre eles há  aquele que, enquanto fala, segura em sua mão uma chave, pedra ou outro objeto - tudo isso é proibido. O próprio encantador que segurou qualquer objeto em suas mãos ou fez qualquer ato além de falar, mesmo se apenas apontou um dedo, é punido segundo as escrituras. O adivinho é aquele que realiza qualquer ato de modo a cair em um estado letárgico para que sua mente seja afastada de todas as coisas externas, após o que ele prevê futuros eventos, dizendo "isto acontecerá ou não acontecerá" ou "é próprio fazer isto" ou "cuidado ao fazer aquilo". Alguns adivinhos fazem uso da areia ou pedras: o indivíduo se curva à terra e grita; um outro fixa o seu olhar sobre um espelho de metal ou uma lâmpada, e então eles imaginam coisas e falam em seguida. Um outro carrega um bastão na mão, curva-se sobre ele e com ele golpeia o solo, até que sua mente esteja em estado de abstração. Em seguida, ele fala. O profeta Oséias (4:12), refere-se a este costume quando diz: "Meu povo consulta o seu pedaço de madeira e o seu bastão faz-lhe revelações".
   Refere-se, também, a trabalhos, despachos, adivinhação e semelhantes, com o objetivo de prejudicar alguém ou de obter benefícios pessoais. Sacerdotes lançavam flechas ou as misturavam numa aljava. A ponta emplumada dessas flechas era coberta de inscrições que continham respostas variadas e contraditórias a questões angustiantes. A resposta do deus à questão estava inscrita na flecha retirada ao acaso.
(...)
São as mesmas recomendações existentes em Levítico 19:31, 20:6 e 20:27 e em Isaías 8:19.  A palavra consultar ou interrogar, colocada antes de necromante e adivinho, prova que, entre os Hebreus, as evocações eram um meio de adivinhação.
  Na necromancia, o praticante fica de pé, oferece uma certa espécie de incenso, segura em sua mão um ramo de mirta e o balança. Ele pronuncia suavemente certas palavras conhecidas dos praticantes dessa arte, até que a pessoa que o consulta pensa que alguém está conversando com o necromante respondendo suas perguntas em palavras que soam como se viesse de debaixo do chão em tons excessivamente baixos, quase inaudíveis ao ouvido e apenas aprendidos pela mente. O necromante também costuma tomar o crânio de um homem morto, queimar incenso em seu nome e usar de artes de adivinhação, até que surge o rumor de uma voz, excessivamente baixo, vindo de sob as axilas do necromante e que responde a ele.
  A palavra "id'oni" refere-se ao feiticeiro que coloca o osso de um animalzinho chamado "yadúa" dentro da sua boca e prediz.
Nesse caso, Maimônides diz que os que consultam espíritos familiares oferecem incenso, põem o osso (iedúa) em sua boca e realiza outros atos, até que caem ao chão como um epílético e pronunciam previsões de eventos futuros.
   O nó górdio, que é um nó difícil de desatar, e narrado na lenda de Alexandre, e uma ilustração da prática das tranças, fios de Parcas e outros cordames utilizados nos templos para fim de adivinhação.
   (...) A maioria traduz dorêsh él-hametim como consulta aos mortos, no entanto, acima já existe o verbo consultar(schoêl) utilizado antes das
palavras "necromante e adivinho". Porém, antes da palavra "mortos" observe que o verbo muda para (lidrôsh) e o primeiro significado do verbo lidrôsh, em hebraico, é exigir, daí, a tradução correta do texto ser exigir a presença dos mortos. Se este verbo tivesse o mesmo significado de consultar, não teria razão de, no versículo, o autor sagrado trocar o verbo "shoêl por dorêsh" antes da palavra "hametim" (mortos)

   Existe ainda o agravante: era costume dos adivinhos se deitarem de bruços sobre os túmulos para tentarem estabelecer um diálogo com os mortos. Acreditavam com isso ser possível o diálogo.
   Maimônides acrescenta ainda que eles jejuavam e depois passavam a noite em um cemitério, a fim de que um morto lhe aparecesse em sonho e comunicasse sobre assuntos que ele desejasse perguntar. Outros vestiam mantos especiais, pronunciavam
certas palavras, ofereciam um incenso especial e dormiam sozinhos no cemitério, a fim de que uma pessoa morta lhe aparecesse em sonho e conversasse com eles.

   A proibição de Moisés se dirigia exatamente a este método ou a está prática para se conseguir o intercâmbio. Moisés não diz em nenhum momento se acreditava na eficácia destas práticas. No entanto, proibia o uso, o que já é suficiente para entendermos que ele acreditava no retorno dos mortos, do contrário não as teria proibido. O rei Saul, em casa da Pitonisa de Endor(I Samuel 28:7-19), comprova esta crença que justificava plenamente a proibição.
    Meu Deus, onde já se ouviu dizer que nenhum espírita, seguidos dos postulados espirituais de Allan Kardec, realize tais práticas?
   Nós espíritas, conhecedores da faculdade mediúnica, sabemos que está prática é perigosa, principalmente quando aqueles que a praticam são médiuns. Logicamente, os espíritos vampirizadores que normalmente existem nos cemitérios levariam aqueles que praticavam este ato às mistificações e obsessões.
   Não podemos nos esquecer de analisar a situação em que os livros de Moisés foram escritos e para que povo foram escritos. Encontrava-se o povo hebreu em uma época de idolatria e politeísmo. E este povo era recém-saído do cativeiro e procedente de um país(Egito), onde também reinavam a idolatria e o materialismo. Existia por parte de Moisés uma preocupação em conduzir aquele povo e ao mesmo tempo em exterminar do meio deles a idolatria. Era muito comum, naquela época, a existência dos adivinhos e necromantes, que se intitulavam verdadeiros ídolos, e sendo também muito procurados pelo povo de então. Moisés tenta acabar com estes costumes e as práticas mais populares para poder instituir, entre esse povo, o verdadeiro e único Deus.
    Ressaltamos ainda, com relação aos mortos, que a proibição de Moisés foi contra a exigência da presença do morto, porque ele sabia que nem sempre isto é possível, o que está em pleno acordo com Kardec que nos informa nem sempre estar o espírito desencarnado em condições de atender ao nosso chamado. Ele poderá até já estar reencarnado em outro corpo e como poderia atender ao chamado? (Veja o Livro dos Médiuns, questões 273, 274, 275)
   Quem conhece o Espiritismo sabe muito bem que os espíritas não vão a cemitério debruçarem-se sobre túmulos, nem ali dormir, para dialogar com os espíritos e este era costume daquela época, por isso, proibido por Moisés.
    Além disto, os espíritas não exigem a presença dos "mortos" nem evocam os espíritos superiores para deles obterem revelações ilícitas, nem delas tirarem benefícios pessoais, mas esperam as suas manifestações espontâneas, para delas receberem sábios conselhos e proporcionarem alívio àqueles que sofrem. Se os Hebreus utilizassem a comunicação dos mortos do mesmo modo e seriedade com que os espíritas fazem hoje, certamente Moisés não os teria proibido de nada. Pelo contrário, tê-los ia estimulado. Veja Números 11:26 a 30.
  (...) Quem disse que espírita é sinônimo de necromante e adivinho?  O Apocalipse fala (Cap. 22: 18 e 19) que "todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhe ajuntar  alguma coisa, Deus ajuntará sobre ele as pragas descritas descritas neste livro; e se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, descrita neste livro". Mas existem tradutores mudando os textos e colocando palavras inexistentes e com o único intuito de condenar aqueles que não pensam da mesma maneira que eles. É o caso das palavras "Médium" e "Espiritismo".
   O Cristo ensinou a amar ao próximo como a nós mesmos (Lv. 19:18; Mt. 19:19). Afirmou, ainda, que não veio para viver com os bons(Mateus Cap. 9:12; Marcos 2:17; Lucas 5:32), no entanto , ainda, existem pessoas que, apesar de possuírem uma filosofia religiosa-cristã, condenam o seu semelhante pelo simples fato de não pensar igual a eles. É como se fossem a expressão única e exclusiva da verdade. Se dizem seguidores do Cristo que ensinou o Amor e o Perdão, mas não perdoam ninguém, a não ser aqueles que vivem segundo seus conceitos, ou seja, os que pensam e possuem a mesma religião que eles. Será que foi isto que o Cristo ensinou? Medite você sobre esta colocação e lembre-se do "não julgueis para não serdes julgados" (Mt. 7:1 e 2).
As lógicas expostas nos conduzem a não aceitar de forma alguma tais afirmativas, pois estas conclusões tendenciosas e infundadas só interessam aos inimigos gratuitos da Doutrina Espírita.
  (...) Como poderiam condenar o Espiritismo, uma doutrina codificada no século passado, em 18 de abril de 1857 e que surgiria 4000 anos depois? Por acaso Moisés já conhecia o Espiritismo? Já conhecia os médiuns e espíritas? (...) Esta proibição seria um dos mais fantásticos fenômenos de premonição do escritor do Pentateuco, visto estar condenando algo que surgiria 4000 anos depois, não acha?
    Na verdade, aqueles que realmente conhecem a Bíblia e o Espiritismo, em sua essência e significado, não condenam esta doutrina. É o caso do Pastor Nehemias Marien, um militante protestante e um dos maiores conhecedores da Bíblia, no Brasil, e com certeza conhecedor também do Espiritismo. É um teólogo de público e notório saber que respondeu sobre as Escrituras Sagradas num programa de TV brasileira e foi amplamente reconhecido por todos como um fenômeno de conhecimento da palavra de Deus.
   Vejamos, na íntegra, a sua opinião sobre o Espiritismo e Mediunidade em sua obra intitulada 'Jesus, A Luz da Nova Era': "A Doutrina Espírita é essencialmente cristã e tem o seu fundamento nas Sagradas Escrituras. O Espiritismo deve ser entendido como um dos mais caudalosos afluentes do Cristianismo. A mediunidade é um fenômeno que se observa em toda a Bíblia, através dos textos nela psicografados. Nela, os redatores sagrados se manifestam como amanuenses do Espírito: não escreveram de si mesmos mas inspirados pelo Espírito de Deus, afirma o apóstolo Paulo. A ciência espírita sempre integrou a doutrina da Igreja até ser excomungada dos cânones oficiais pela precipitação do Concílio de Constantinopla, em 553 d,C. Neste particular, a sabedoria está na atitude firme do frei agostiniano Martinho Lutero, perante a Dieta de Worms: historicamente os Concílios têm errado, não sendo conveniente ninguém viver de modo contrário à sua consciência. Erram os Concílios e todo aquele que torpedeia a liberdade de consciência.
    A intransigência protestante até hoje considera o Espiritismo uma artimanha maligna e o catolicismo romano se contradiz diante da incontida espiral de crescimento do Espiritismo, em suas igrejas.
     (...) Há uma controvertida passagem , nos escritos do apóstolo Pedro, que tem perturbado as regras da hermenêutica bíblica: "Cristo vivificado no espírito foi e pregou aos espíritos em prisão" (I Pedro 3:19). Que prisão  seria essa na qual Jesus pregou? Seria antes ou depois do seu Calvário? Quem teria revelado este fato ao apóstolo? Um inferno geográfico? Se o próprio Jesus não considerou vão estar pregando ali as boas novas, certamente podemos concluir pela existência de uma libertadora evolução espiritual num universo por nós desconhecido.
    E conclui: Somos todos filhos de um mesmo Deus. E todos temos em nós uma mesma consciência ESPÍRITA'(grifo do Severino).
   (...) E lembramos ainda que Moisés não falou nenhuma vez em demônios. Ele poderia justificar a proibição dizendo que os mortos não voltavam e quem realmente voltava nestas exigências eram os demônios."
Mais a frente, sobre Jesus falando com Elias e Moisés, diz Severino: "Trata-se de uma comunicação "espírita" realizada por Jesus, mostrando ainda que as proibições de Moisés não se referiam a esse tipo de encontro no qual o próprio Moisés estava presente. Aqui ocorre um encontro entre entidades evoluídas, o que jamais poderia ser condenado por Moisés que conversava frequentemente com os "espíritos guias" (Elohim) do povo hebreu, e nesta passagem conversa com Jesus. O que foi proibido por Moisés foi a exigência da presença dos espíritos dos "mortos" para atender problemas materiais e interesses pessoais  e ainda na forma estranha de ser realizada em cemitérios.

Este mesmo princípio de conduta nos é orientado por Allan Kardec no Livro dos Médiuns(questões 273, 274 e 275) onde regulamenta a evocação, mostrando que nem sempre sabemos em que situação se encontra o espírito EVOCADO. E ainda nos mostra  que, nas práticas espíritas, a evocação deve ser feita dentro de um regulamento de seriedade, princípios cristãos e só com objetivos bem definidos, uma vez que existe, em alguns casos, dificuldade de se verificar a identidade do espírito evocado, levando, muitas vezes, à mistificação."
Mesmo uma Home Page evangélica reconhece que um dos motivos da proibição foi a idolatria: "Os povos que adoravam a deuses estranhos e que não seguiam aos ensinos dados por Deus, eram usuários deste costume. Foi para que os adoradores do Verdadeiro Deus não se envolvessem com eles  que Moisés falou: ".
Mas obviamente sugerem (certamente por má-fé e não ignorância), que no Espiritismo há idolatria, quando todos sabem ou deveriam saber que acreditamos que espiritos não são deuses, até porque espíritos somos todos nós.
No livro "Does the Soul Survive - A Jewish Journey to Belief in Afterlife, Past Lives and Living with Purpose", o autor, o rabino Elie Kaplan Spitz, informa que pessoas de sua comunidade que tinham perdido entes queridos estavam consultando um médium americano muito famoso: George Anderson.
Consultou seu professor de seminário, e, para sua surpresa, este confirmou que a Bíblia hebraica condena consultar os mortos para fins de adivinhação apenas. Se o propósito for benéfico, não há nada contra.
Informa também o livro que um comitê de rabinos americanos estudou a questão com base na Bíblia hebraica chegando a mesma conclusão. Mas essa conclusão não interessa aqueles que se dizem "cristãos" e não se dedicam a pregar os preceitos do Cristo  e sim a pregar o ódio contra os que não pensam igual.
Leia também as diversas traduções onde tentam de todas as formas incluir o Espiritismo entre as práticas de magia condenadas na Bíblia:
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/os-textos-originais.html

3 comentários:

Luiz Gonzaga Santos Filho disse...

'' Na verdade, aqueles que realmente conhecem a Bíblia e o Espiritismo, em sua essência e significado, não condenam esta doutrina. É o caso do Pastor Nehemias Marien, um militante protestante e um dos maiores conhecedores da Bíblia, no Brasil, e com certeza conhecedor também do Espiritismo...."

rsrsrs .... essa foi a pior parte .

Junior Sousa disse...

Espiritismo cristão essa foi boa...nuncaaa foi e nunca seraa...

Junior Sousa disse...

Espiritismo surgio com Allan kardec? ele que te falou isso?Satanas sempre existiu, ele veio pra matar, roubar e destruir e enganar esse tal de Allan kardec...com essas coisa de espiritismo...deixa de ser tolo...da onde q o espiritismo surgiu com esse maluco ai...espiritismo=demonio so nao ver quem nao quer!morreu já era...é o que eu acho...nao tenho religiao alguma.

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...